Comportamento, alimentação e reprodução
As sucuris são animais solitários e de hábito noturno. Semi-aquáticas, elas são bastante ágeis na água, podendo nadar com rapidez graças aos seus fortes músculos que permitem movimentos ondulatórios (veja mais sobre a forma de locomoção das cobras no artigo “Como funcionam as cobras”). Quando não se sentem ameaçadas, elas preferem não fazer esforço e se deixam levar pela correnteza. Geralmente, é na água que caçam suas presas. Após localizar o animal que será a sua refeição, se aproximam cuidadosamente e atacam em um bote certeiro, agarrando e puxando a presa para dentro da água. Como não são peçonhentas (não são venenosas), matam por constrição (se enrolando na presa e a apertando para que ela sufoque) e por afogamento. Este método de caça não é considerado muito seguro, porque a sucuri precisa se enrolar na vítima, que tenta a todo custo se defender e escapar - e muitas vezes a presa consegue ferir a sucuri, mordendo o seu corpo violentamente, como no caso de jacarés. Muitas têm diversas cicatrizes pelo corpo que são resultado da luta entre elas e suas presas.
![]() © istockphoto.com / Daniel F. Q. Schumaher Eunectes notaeus – Sucuri-amarela |
As sucuris vivem em florestas de matas tropicais da América do Sul. Gostam de áreas alagadas, às vezes, pantanosas e podem ficar em galhos baixos de árvores próximas de águas paradas. Sua alimentação pode variar dependendo da região onde vivem, sendo peixes, jacarés, tartarugas, capivaras, filhotes de antas, aves aquáticas entre outros, seus principais alimentos. Quando filhotes podem se alimentar de pequenos invertebrados como insetos. Para conhecer mais detalhadamente a forma como a sucuri e outras cobras se alimentam veja o item alimentação do artigo “Como funcionam as cobras”.
O ritual de acasalamento e a cópula ocorrem dentro de água, geralmente entre abril e maio. Os machos detectam as fêmeas em condições de acasalar através de sinais químicos emitidos pelas fêmeas, conhecidos como feromônios. Vários machos podem se enrolar em torno do corpo de uma única fêmea, disputando a possibilidade de acasalar. As sucuris são vivíparas (animal que pari filhos) e os filhotes (entre 20 e 70, com comprimento variando entre 15 e 45 cm) nascem na água, após cerca de oito meses de desenvolvimento embrionário. Essas cobras atingem a maturidade sexual com cerca de três ou quatro anos de idade.
Principais ameaças
As principais ameaças às sucuris são a caça predatória, para comercialização de seu couro, e a destruição acelerada de seu habitat pela ocupação humana residencial e agrícola. De maneira geral, as serpentes sempre foram motivo de pavor e misticismo entre os seres humanos. A crença de que estes animais são malignos desperta o ódio intenso e, quase sempre, o encontro entre o homem e este animal acaba na morte do bicho, que muitas vezes é exibido como um troféu. Dentre os diversos grupos de animais, as serpentes costumam ser os mais perseguidos pelos humanos, principalmente pelo fato de que podem causar alguns acidentes graves. Mesmo que a grande maioria das espécies brasileiras seja inofensiva, não causando acidentes graves em humanos (como é o caso das sucuris), são atacadas e mortas quase sempre que existe contato. Geralmente as serpentes reagem à aproximação dos humanos com imobilidade, que - aliada à coloração de camuflagem - faz com que passem despercebidas.
Curiosidades
Após se alimentar as sucuris ficam mais pesadas e menos ágeis do que o normal. Quando se sentem ameaçadas podem “regurgitar” a presa para ficarem mais leves e poderem fugir da ameaça.
As serpentes, de maneira geral, podem manter seu corpo com uma temperatura considerada ótima, fazendo com que seu metabolismo fique reduzido e economizando muita energia. Assim, elas precisam se alimentar menos frequentemente do que aves e mamíferos, podendo ficar muito mais tempo sem comer nada.
